Entrevista: Mathieu Duvignaud, o francês que deu novos ares ao Palácio da Cultura

Mathieu Duvignaud é francês, tem 37 anos e está há cerca de quatro meses à frente da Pinacoteca do Estado. Nas últimas semanas ele viajou, em uma iniciativa inédita no estado, ao lado do cineasta Buca Dantas, pelo interior do Rio Grande do Norte a fim de criar um mecanismo de contato eficaz entre os artistas e as instituições.
O Chaplin conversou um pouco com ele sobre a experiência na Pinacoteca, seus planos e o que ele conseguiu perceber ao viajar pelo interior.

Mathieu | Foto: Arquivo pessoal

Mathieu Duvignaud | Foto: Arquivo pessoal

O Chaplin: Mathieu, você fez um trabalho inédito de viajar pelo estado inteiro, numa busca pelos artistas. Como você acha que está o atual momento das artes plásticas no RN?
Mathieu Duvignaud: As artes do estado vêm sofrendo de várias dificuldades, como, aliás, nos outros estados e no mundo inteiro. Porém, eu que já tive a oportunidade de conhecer bem a situação na Europa e posso dizer que o Brasil está muito na frente quanto a questão de editais, de contemplação das varias áreas das artes. A cultura popular está sendo preservada de forma muito incrível. Posso citar o projeto dos Pontos de Cultura, que foi um avanço enorme para nós artistas. “Nós” porque, antes de ser gestor cultural, sou artista e sempre serei.

OC: E o que pode ser feito para melhorar esse quadro?
MD: Melhorar a comunicação entre as instituições e os artistas, cobrar dos artistas que se formem em áreas diferentes das suas prediletas, como gestão e produção cultural, porque acabou a era do artista pobre e isolado. Hoje em dia o artista tem como via a economia criativa e várias ferramentas para difundir seu trabalho e ser economicamente viável. Muitas vezes as pessoas acham que artistas não pode ganhar dinheiro mas acho isso absolutamente errado, artistas têm que ganhar dinheiro e ganhar bem, porque são o cimento da nossa sociedade. O quadro vai melhorar se os artistas também se organizam e conversam fora das questões políticas com as instituições.

Mathieu com Buca Dantas em visita ao ateliê do artista João Antônio, em Currais Novos | Foto: Fahad Mohammed

Mathieu com Buca Dantas em visita ao ateliê do artista João Antônio, em Currais Novos | Foto: Fahad Mohammed

OC: É notável que você tem feito um trabalho diferente a frente da Pinacoteca. Como está sendo essa tentativa de movimentar o Palácio da Cultura?
MD: Na verdade, estou fazendo um trabalho normal de um gestor, fiquei até surpreso nos meus encontros por saber que ninguém tinha realizado esses encontros antes. Fora disso, estou tentando “contemporizar” a Pinacoteca e preservar também as artes mais tradicionais. Adoro criar diálogos entres áreas diferentes, artistas novos e antigos, criar choques estéticos. Ainda estou precisando a parte da educação artística para vir a ter uma maior convivência com as escolas.

OC: Em 2014, teremos a Copa do Mundo em Natal, com um grande fluxo de turistas. De que forma você pretende tentar dar visibilidade aos nossos artistas aproveitando esse fluxo de pessoas?
MD: Na verdade, ninguém sabe no que essa Copa vai dar, se realmente vai ser uma mudança nas vidas das pessoas, são três jogos só aqui em Natal… Porém, nessas semanas efervescentes, muitos turistas e particularmente muitos jornalistas vão conhecer Natal e divulgar o nome da cidade pelo mundo, então acho que para os artistas vai ser uma oportunidade de mostrar seu trabalho e aumentar suas possibilidades profissionais. Se ocorrer tudo bem, daquelas viagens que estou realizando vou selecionar artistas e trabalhos para realizar uma mostra da arte contemporânea do estado.

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Sobre o Autor

Fahad Aljarboua

Bacharel em Direito. Abecedista. Nas horas vagas escritor, divagador e mentiroso, tudo isso com uma boa dose de cinema e rock n' roll - álcool só aos fins de semana. Assina a coluna "Opinião Formada".

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