Há cerca de cinco anos eu conheci a banda catalã Ojos de Brujo, por meio de um amigo que tinha ido morar em Barcelona para estudar música. No regresso ao Brasil, além das boas histórias e novidades, o dito amigo trazia consigo um dos discos que mudariam minha percepção de música: “Techarí” (2006), terceiro álbum da banda. A criatividade, qualidade e inovação sonora dos músicos é genial! O Ojos faz uma fusão de flamenco com diversos ritmos musicais, como jazz, rumba, rock, hip-hop, reggae, rock e música eletrônica. As letras são de uma poesia urbana e contemporânea e com consciência social.

Ojos de Brujo

Ojos de Brujo foi um projeto de jam session dos músicos da cena flamenca de Barcelona que se reuniam pra fazer música em botecos, que teve início em 1996. Os encontros renderam composições, parcerias musicais que em sua maioria acabaram entrando no primeiro disco do grupo, “Vengue” (1999). Sem pretensão, os músicos foram tocando em festivais europeus, não tardou para que a banda ficasse conhecida. Com suas apresentações enérgicas e festivas, o Ojos acabou conseguindo uma boa vendagem do seu debut, foram vinte mil cópias em oito meses.

Ojos_de_brujo_1Após idas e vindas de músicos, a banda estabeleceu uma formação clássica composta por: Ramón Giménez (violão flamenco), Paco Lomeña (violão flamenco), Marina “la canillas” Abad (vocalista), Xavi Turull (percussionista), Panko (DJ), Sergio Ramos (baterista), Javi Martin (baixista), Carlos Sarduy (trompete, teclado e congas) e Maxwell Wright (percussão e vocais). Um dos ex-membros da banda, Dani Carbonell, atual vocalista da banda Macaco, foi um dos vocais do Ojos no seu primeiro disco. Nos shows, a banda contava ainda com a participação de outros músicos de peso. Com uma aura cigana e uma forte presença da cultura catalã, a banda se tornou uma das referência da nova cena musical espanhola, recebendo o Grammy latino em 2007 na categoria Melhor Álbum de flamenco, pelos seu terceiro disco, “Techarí” (e na minha opinião a sua obra prima).

O Ojos de Brujo esteve no Brasil em 2009, tocou no carnaval de Recife e fez outros shows pelo Sudeste. O grupo possui quatro discos de estúdio: “Vengue” (1999), “Barí” (2000), “Techarí” (2006) e “Aocaná” (2009). Além dos discos de estúdio, a banda também gravou o EP, “Rumba Dub Style” (2001), um ao vivo “Techarí Live” (2007); dois disco com remix e versões “Bari: remezclas de la casa (2003) e “Techarí Remixes” (2007) e um discos com participações especiais, “Corriente Vital 10 años” (2010). A banda se separou este ano e a vocalista Marina Abad seguiu carreira solo sob o nome artístico de Marinah. Pra celebrar a criatividade e o alto nível de qualidade musical, a Play List de hoje está aqui pra apresentar o Ojos de Brujo a você, leitor. Pra conferir a energia e ao vivo, confira aqui.

 Corriente Vital (2010)

Todo Mortales (2009)

Todo Tiende (2006)

Sultana del Merkaillo (2006)

Corre Lola Corre (2006)

Bailaores (2006)

Silencio (2006)

Ley Del Gravidad (2002)

Calé Bari (2002)

Tesoro (2000)

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Sobre o Autor

Leila de Melo

Uma míope quase sempre muito atrasada, cinéfila por opção, musicista fracassada e cronista das pequenas idiotices da vida. Pra sustentar suas divagações é jornalista, roteirista e fotógrafa.

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