A corrida pelo Oscar já começou e os filmes Cinderela (Sandy Powell), Carol (Sandy Powell), A Garota Dinamarquesa (Paco Delgado), Mad Max (Jenny Beavan) e O Regresso (Jacqueline West) concorrem na categoria de melhor figurino (best costume design, em inglês). Vem conhecer um pouco mais sobre os indicados do dia 28 de fevereiro.

Cinderela

cinder-b

cinderela-filme-2015

Cinderella-2015-offical-stills-cinderella-37816256-5760-3840-600x400

Com o figurino assinado pela experiente Sandy Powell, o filme Cinderela conta a história da personagem homônima dos contos de fadas.

O figurino possui referências estritamente do século XIX. As peças são em sua maioria vestidos que exibem o colo nu, espartilho (destaque na cintura fina que representa a feminilidade), saias rodadas, transparência e babados. Já no figurino masculino o dandismo se destaca pela calça de alfaiataria, botas e casacos.

Apesar do figurino belo, esse é dos indicados que poderiam ceder o seu espaço para algum filme em cuja narrativa a categoria é mais forte e que acabou ficando de fora. Contudo, tudo é possível até a meia-noite. Será que o conto de fadas leva a estatueta?

Carol

carol

Cate Blanchet como Carol

download (1)

596

Carol e Therese

Mais um figurino assinado pela Sandy Powell, que concorre em dobro no Oscar deste ano, o filme Carol narra o romance entre a aristocrata nova-iorquina Carol (Cate Blanchet) e a intelectual Therese (Rooney Mara). Ambientado nos anos 50, o filme mostra o glamour e o luxo das socialites estadunidenses.

Nessa perspectiva vemos chapéus, casacos de pele e jóias. A personagem título interpretada por Blanchet quebra tabu e seu figurino reflete a mulher moderna da época. A palheta de cores da personagem, com azul, vermelho e laranja no figurino da aristocrata americana, confirma a imponência da personagem –  com forte presença de unhas pintadas, batom e blusas vermelhas. A cor simboliza o empoderamento feminino.

A figurinista Sandy Powell já é uma velha conhecida da academia. Ela possui 12 indicações ao prêmio, vencendo três delas pelos filmes Shakespeare Apaixonado (1998), O Aviador (2005) e A Jovem Rainha Victoria (2010), além de ser conhecida pelos figurinos de Gangues de Nova York (2003) e Hugo Cabret (2013). Será que veremos Powell levar mais uma estatueta para casa?

A garota dinamarquesa

082295.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx

Lili (Eddie Redmaine) e Gerda (Alicia Vikander)

os-cinco-indicados-ao-oscar-de-melhor-figurino3

a-garota-dinamarquesa-original

Lili Elbe

Ambientando nos anos 20, o filme destaca a transição entre o masculino e o feminino. É uma narrativa sensível que conversa com o figurino e o tempo. O objeto da categoria que discutimos é a peça chave do longa. A personagem Lili Elbe/Einar Mogens Wegener (Eddie Redmayne) mostra a partir de cada peça usada seus questionamentos sobre si mesma. O filme “A garota dinamarquesa” traz consigo a beleza andrógena que teve início nos anos 20 com vestidos midi, cortes longilíneos, a cintura na medida do quadril, chapéus e alfaiataria.

Está é a segunda indicação de Paco Delgado para categoria de melhor figurino, a primeira vez foi com o musical Os Miseráveis, de 2012. É possível que o figurinista espanhol finalmente teve para casa a sua merecida estatueta.

Mad Max: Fury Road

Wives

O filme de George Miller, uma das surpresas da premiação, é um dos favoritos a levar a estatueta de melhor figurino. Jennie Beavan, a figurinista do longa, também é outra velha conhecida da premiação. No seu currículo há 10 indicações para a categoria, tendo vencido apenas em 1985 pelo filme Uma janela para o amor.

lead_960

download

O figurino do filme se destaca principalmente pelas cores claras, em sua maioria, que conversam com o ambiente apocalíptico do filme. A cor predominante é o branco, que caracteriza a necessidade de se usar um tom mais claro dentro de um ambiente mais quente. As peças masculinas, por sua vez, fazem referência ao militarismo refletindo a luta dos personagens nesse futuro apocalíptico. As cores branco e preto fazem oposição ao ambiente e ao tom terroso e quente do filme.

This photo provided by Warner Bros. Pictures shows, from left, Abbey Lee as The Dag, Courtney Eaton as Cheedo the Fragile, Zoe Kravitz as Toast the Knowing, Charlize Theron as Imperator Furiosa and Riley Keough as Capable, in Warner Bros. Pictures’ and Village Roadshow Pictures’ action adventure film, “Mad Max:Fury Road," a Warner Bros. Pictures release. (Jasin Boland/Warner Bros. Pictures via AP)

Lembrando que Mad Max também concorre nas categorias de melhor direção de arte e maquiagem. Será que leva?

O regresso

O queridinho da temporada tem como figurinista Jacqueline West, que já possui três indicações da Academia. Entre seus figurinos mais famosos, está o do filme O curioso caso de Benjamin Burton, de 2008.

maxresdefault1-571x276

Leonardo Dicaprio como Hugh Glass

leonardoicarpio_oregresso_rep_01

o-regresso-novo-filme-de-alejandro-inarritu-e-estrelado-por-leonardo-dicaprio-e-tom-hardy-1443539250929_956x500

Fitz (Tom Hardy)

leonardodicaprio-oregresso

Em O Regresso, o figurino recebe a conotação dark e utilitária que a história merece. As paletas de cores do figurino são verde escuro, marrom e preto, dotadas de casacos, sobretudos, sobreposição de peças, casacos e o elemento principal: a pele de animal distribuída em casacos e gorros. As cores das peças conversam com a necessidade de sobrevivência no ambiente frio e solitário. Ou seja, quanto mais escuro o figurino mais aquecido ele se torna.

E aí em quem você aposta para levar a estatueta? Só nos resta esperar até dia 28 para descobrir quem vai ser o vencedor do Oscar de melhor figurino de 2016.

Os ignorados pela Academia 

Como todo ano, a Academia americana de Artes e Ciências Cinematográficas acaba deixando de fora alguns filmes nos quais o figurino é um dos maiores destaques na história. Esse ano não foi diferente, a exemplo de Trumbo, Brooklyn e Os 8 Odiados, que ficaram de fora da disputa pela estatueta de melhor figurino.

Trumbo narra a luta do roteirista Dalton Trumbo contra o Macarthismo nos anos 40 e 50. O figurino assinado por Daniel Orlandi (O Código Da Vinci e Jurassic World) ressalta a beleza da Era de Ouro no cinema ao destacar vestidos acinturados, saias midi, ternos, casacos, estampas discretas, chapéus e jóias.

Trumbo_4

Já o filme Brooklyn conta a história de amor entre uma imigrante irlandesa e um americano nos EUA dos anos 40. Odile Dicks-Mireaux (Doctor Who e Educação) foi responsável pelo figurino do longa. As peças são claras, saias rodadas sem ostentação e blusas fechadas. Era recessão na América e as mulheres davam seus primeiros passos em direção ao mercado de trabalho.

Film-Brooklyn-01-Photo-Courtesy-of-AceShowBiz1

Em Os 8 Odiados, obra do ano de Tarantino, vemos o resgate do faroeste – um dos gêneros mais importante do cinema – no frio.  A responsável pelo figurino é Courtney Hoffman (Django Livre). No longa, as peças são divididas entre tons amarelados e escurecidos. Calças, chapéus, lenços, gorros, pele e sobretudo formam o estilo dos personagens de Os 8 Odiados.

8 no meio

Definitivamente a ausência do filme Os 8 Odiados nesta categoria se tornou um dos maiores enganos da Academia.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on PinterestEmail this to someonePrint this page

Comentários

comments

Sobre o Autor

Maria Aparecida Borges

Estudante de jornalismo, aspirante a figurinista e fã incondicional de Grace Codington, Anna Wintour, Nina Garcia e Miranda Priestly. Frase favorita: "That's all" .

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.