O grupo pernambucano de teatro Magiluth apresenta, pela primeira vez em Natal, o espetáculo O Ano em que Sonhamos Perigosamente, que mistura a vivência dos onze anos do grupo com o delicado momento sociopolítico que vivemos. Serão duas sessões nos dias 15 e 16 de outubro (sábado e domingo), às 20h, no Barracão do grupo Clowns de Shakespeare, onde já é possível encontrar os ingressos antecipados à venda, nos valores de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

O Espetáculo

O novo trabalho do Magiluth foi inspirado na obra cinematográfica do grego Yorgos Lanthimos e nos pensamentos de Slavoj Zizek e Gilles Deleuze. Assim como Lanthimos enfoca conflitos familiares para falar sobre o colapso nacional grego, O Ano em que Sonhamos Perigosamente utiliza o próprio “fazer teatral” para questionar o momento político atual.

É uma obra aberta a múltiplas interpretações, um ensaio de resistência ético-estético-político, são linhas, não formas pré-estabelecidas. Pode-se fugir, esconder, confundir, sabotar, cortar caminho. Não que existam caminhos certos. Existem caminhos certos? Não sabemos. Há, porém, a subjetividade e todas as suas nervuras e ramificações. Não há um modelo fechado. Não há ligação definitiva. São linhas de intensidade, apenas linhas de intensidade.

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Os movimentos emancipatórios que desabrocharam mundialmente, a exemplo do Occupy Wall Street, a Primavera Árabe e da Revolução Laranja na Ucrânia, ainda que distintos em suas expressões e questionamentos, de alguma maneira reverberaram no Brasil em junho de 2013. Outro rizoma desses “sonhos emancipatórios” é o Movimento Ocupe Estelita que se torna latente e pulsante nos corpos e discursos dos atores. Uma percepção racional do mundo? Um zeitgeist talvez. Colocaram uma lupa na crise do capitalismo e por consequência, na crise dos modelos de poder dos estados.

O Ano em que Sonhamos Perigosamente foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014 de montagem. A dramaturgia é fruto do projeto Jogo Magiluth: Manutenção de Pesquisa, pelo Funcultura 2013/2014, e recebe apoio do Centro de Formação e Pesquisa Apolo-Hermilo pelo edital de pesquisa 2015.1.

 

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Sobre o Autor

Vinícius Vieira

Sagitariano carioca que mora em Natal. Jornalista formado pela UFRJ e UFRN. Apaixonado por cinema, praia e viagens.

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