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Doze naves surgem em diversos pontos aleatórios do planeta. Não, nem foi em Nova York desta vez! A mídia internacional está aflita por notícias, pânico e temor nas ruas. Os líderes de Estado de diversos países buscam formas de se comunicar com os tripulantes das naves. Seria mais um filme sobre invasão alienígena e guerra, penso eu ao assistir o trailer de A Chegada. Mas, para minha sorte, eu não poderia estar mais enganada. Eis um filme que é ficção científica da melhor qualidade!

O longa baseado no conto “A História da Sua Vida” (1999), de Ted Chiang, tem a direção do competente e sensível diretor canadense Denis Villeneuve (Os Suspeitos e Sicario: Terra de Ninguém). Fugindo das escolhas óbvias e clichês do gênero fílmico, a produção traz uma nova perspectiva aos filmes de ficção científica, predominantemente ligados à figura masculina e às ciências exatas.

Temos a linguística como ciência fundamental do longa. A responsável pela comunicação entre humanos e ET’s é a professora Louise Banks (Amy Adams), uma expert em linguística. O físico teórico, Ian Donnelly (Jeremy Renner), completa a equipe de especialistas contratada pelas forças armadas norte-americanas a fim de compreender o motivo pelo qual aquelas naves estão onde estão.

O argumento do filme tem base em uma teoria linguística desenvolvida pelos estudiosos Edward Sapir e Benjamin Lee Whorf. O estudo diz que a estrutura e o vocabulário de uma língua são capazes de moldar os pensamentos e percepções de seus falantes — e que, portanto, cognição e língua são inseparáveis. No longa a teoria é levada às últimas consequências.

A montagem deste filme, tal qual também notei em “Animais Noturnos”, é imprescindível para o argumento. Villeneuve nos entrega pistas, e pouco a pouco o espectador passa a compreender o raciocínio da Dra. Banks conforme ela tenta decifrar a inexplicável língua extraterrestre — que na forma falada é uma série de ruídos e grunhidos, e na forma escrita consiste em símbolos circulares sem começo nem fim.

A fotografia de “A Chegada”, assinada por Bradford Young, conseguiu passar a tensão, o estranhamento e também a sensibilidade da narrativa por meio de cores e luminosidade. Sem dúvida, um dos trabalhos mais belos e delicados que vi nas últimas produções de ficção científica. O longa concorre nesta categoria e em mais sete: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Montagem, Mixagem de som, Edição de som e Design de produção.

O compositor islandês, Jóhann Jóhannsson (líder da banda Sigur Rós), foi o responsável por criar a trilha sonora do filme. Jóhanson baseou sua trilha em texturas e sensações, criou um som um tanto quanto “espacial”, estranho, tenso e distante. Este é o terceiro trabalho do islandês em parceria com Villeneuve. A dupla trabalhou anteriormente em Os Suspeitos e Scicario – Terra de Ninguém, e estará junta novamente no próximo projeto do diretor, Blade Runner 2049.

Denis Villeneuve fez um trabalho digno de maestro neste filme, desde a escalação técnica da película à escolha do elenco. Inclusive, precisamos falar sobre Amy Adams. A atriz está em dois dos meus filmes prediletos do ano (passado), A Chegada e Animais Noturnos. No entanto, foi ignorada pela Academia. Nos olhos e no sorriso da Dra. Banks enxergamos uma mulher inteligente, forte e metódica. Destaque do elenco, Adams sem maneirismo ou firulas dramáticas faz o que a personagem precisa e nos entrega um dos melhores trabalhos do ano.

Este é um daqueles filmes que sempre será melhor de ser visto no cinema, mas, para você que não conseguiu conferir ainda essa formidável obra de ficção científica, não se afobe! Busque um link em boa qualidade no submundo online e se deleite.

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Sobre o Autor

Leila de Melo

Uma míope quase sempre muito atrasada, cinéfila por opção, musicista fracassada e cronista das pequenas idiotices da vida. Pra sustentar suas divagações é jornalista, roteirista e fotógrafa.

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