Não é de hoje que os e-Readers, ou leitores digitais, transitam pelo mercado literário. Comercializados desde o final dos anos 90, o glamour veio apenas 10 anos depois, com as várias versões do Kindle, grande lançamento da Amazon. Nos últimos anos, a e-Reader tem se tornado mais comum, sobretudo em um público muito específico: os que realmente gostam de ler.

Esse não é o público que tem mania de coleção. Que entra na livraria e sai com cinco edições novas de livros que já tem na estante e nunca lerá. e-Readers não são para os consumistas compulsivos, mas para os leitores compulsivos. Aquela trupe que não vai ao médico ou ao banco sem um livro. O tipo que constantemente tem dores nas costas por sempre andar com livros demais na mochila – para o caso de ter uma folguinha na rotina. Talvez para o camarada que se habituou a ler no ônibus, como um ritual diário.

Não há nada de glamouroso no e-Reader. Trata-se de um aparelho pequeno e de processador não tão evoluído no qual você pode guardar até milhares de livros com design semelhante – sempre em preto e branco. Não há espaço para os artifícios de conquistas das editoras: capas duras, ilustrações marcantes, folhas coloridas, título em alto relevo, textura rebuscada, brindes ocultos… No e-Reader, apenas um aspecto é potencializado: a disposição do conteúdo.

Ora, o leitor abre mão de exibir uma edição grandiosa daquele clássico famoso do século XVIII, mas aprimorará a sua leitura em uma aparelho leve, que inibirá as dores recorrentes nos punhos, controlará a iluminação correta e o tamanho apropriado da fonte do material, tornando a experiência mais agradável, contínua e duraroura.

Por muito tempo tentei ler, por exemplo, em tablets, alegando a clássica desculpa de que ora, nao vou comprar um e-Reader se posso comprar um aparelho que possui a mesma função e tantas outras mais. É diferente, caros leitores. Só entende quem utiliza um leitor digital. Recentemente adquiri um Kindle e posso dizer, com segurança, que a experiência é completamente diferente. O e-Reader é um aparelho pensado para ser eficiente na leitura e, portanto, toda a sua potência é concentrada nesse singelo objetivo. A tela é mais apropriada que as dos tablets, a possibilidade de controlar o tipo e o tamanho das fontes, bem como a iluminação, e a ausência de outros aplicativos enviando notificações, além da notável leveza do aparelho facilitam enormemente a experiência da leitura.

Vamos fazer uma analogia, apenas para colocar em imagens mentais o que quero que você entenda. Os recordes de natação têm sido superados a cada ano. Não necessariamente porque os nadadores são melhores ou trabalham mais duro. Mas porque os acessórios do nado têm sido aprimorados de forma a potencializar a atividade, a exemplo das roupas de natação que diminuem o atrito. É mais ou menos isso o que o e-Reader faz: diminui o atrito entre o nosso corpo e a leitura. Quantos de nós não pararam de ler um obra empolgante, não por sono ou cansaço, mas por sentir os olhos ardendo ou por não ter mais posição para apoiar o livro?

Há quem diga que o e-Reader não mudou em muita coisa a relação que temos com a literatura. Obviamente, há pontos a serem melhorados (as edições virtuais continuam caríssimas, por exemplo), mas àqueles que gostam verdadeiramente de ler, longas obras e por um longo período de tempo, o leitor digital se tornou um amigo inseparável. E que, a partir de hoje, a dúvida do será que vale a pena?, não seja um inibidor na sua tentativa de travar uma relação com um e-Reader, caro leitor.

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Sobre o Autor

Andressa Vieira

Jornalista, cinéfila incurável e escritora em formação. Típica escorpiana. Cearense natural e potiguar adotada. Apaixonada por cinema, literatura, música, arte e pessoas. Especialista em Cinema e mestranda em Estudos da Mídia (PPgEM/UFRN). É diretora deste site.

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