O autor baiano Felipe Ferreira, que vocês já conheceram por aqui, na resenha do livro Griphos Meus, retornará para o mundo literário com sua nova obra, Desmembro. O novo livro tem uma proposta inusitada de reunir memórias de outras pessoas e entrelaçar com as memórias do próprio autor, personificado em Arthur, personagem central da trama. Logo que fiquei sabendo do projeto, que tem previsão de lançamento em janeiro de 2018, minha curiosidade foi atiçada. Confira, na entrevista a seguir, o que o escritor traz de novo para seus leitores.

O CHAPLIN:  De onde surgiu a ideia do romance?

FELIPE FERREIRA: A ideia do romance Desmembro surgiu de algumas experiências oníricas. Durante um tempo tive sonhos estranhos, cheio de símbolos, e a maioria deles sem uma coerência lógica e evidente. Eu esquecia alguns, lembrava detalhes de outros no decorrer do dia, tinha similaridades e dejá vus com sonhos anteriores…Isso me instigou em entender melhor o funcionamento da nossa mente, e de como as lembranças, sejam elas conscientemente armazenadas ou involuntariamente esquecidas, influenciam na nossa vida e nas relações humanas. E ao falar de um tema tão universal como a memória, será inevitável – e fundamental pra densidade literária da obra – que eu mergulhe fundo nas minhas próprias memórias. Entrelaçar as lembranças do “Arthur”, do “Felipe” e dos leitores que colaborarem respondendo o questionário mostrará como as memórias, ainda que subjetivas e pessoais, podem dialogar entre si e construir uma ligação atemporal, contextual e abstrata que vai muito além da racionalidade da psicologia e da nossa compreensão.

O CHAPLIN: No seu primeiro livro, Griphos Meus, vimos um Felipe em diversas faces: crítico em cinema, música e até o seu lado sensual em pequenos textos críticos e repletos de acidez. Veremos um Felipe assim de novo em “Desmembro”?

FELIPE FERREIRA: Costumo dizer que o Griphos é meu cartão de visitas. A pluralidade de textos – de críticas cinematográficas não canônicas e subjetivas às crônicas e poemas – revelou à cena literária minhas ideias, a forma pela qual expresso minhas inquietações e provoco debates relevantes por um escopo artístico heterogêneo e pouco explorado. Em Desmembro deixarei esse lado crítico adormecido, e exercitarei mais o meu lado contador de histórias. Por ser meu primeiro romance, estou construindo a obra sob uma base teórica na abordagem psicológica do tema e mergulhei em leituras diversas e simbióticas de algumas obras de Freud, Jung, e outros grandes nomes da psicanálise que se debruçaram sobre as inúmeras potencialidades e variáveis da memória humana.

O CHAPLIN: Tomara que isso não seja segredo, mas qual vai ser o seu critério na hora de escolher as memórias?

Felipe: Lerei atentamente todas as respostas, uma a uma. Serão dois os critérios de escolha. O primeiro refere-se à originalidade de cada memória compartilhada. Quanto mais diferente, inusitada e detalhada, mais rico é o seu valor literário! O segundo critério será a coerência narrativa entre as memórias. Aquelas que tiverem uma ligação direta ou indireta com as memórias do “Arthur” (personagem principal) serão utilizadas num processo de releitura intertextual. A memória poderá ser usada na íntegra conforme o compartilhamento dx leitorx ou ser livremente adaptada para maior benefício e consistência literária do romance, sob pleno sigilo de quem a desmembrou.

O livro ainda está em processo de coleta de memórias para a construção do enredo até setembro desse ano. E você também pode ajudar o Felipe a escrever esse romance colaborativo compartilhando suas memórias! Clique aqui e responda ao questionário!

Fica aqui o anseio de um fã que tanto se emocionou no primeiro livro e tem muitas expectativas em reler Felipe Ferreira. Para conhecer um pouco mais o autor, confira o seus perfis no Instagram e no Twitter.

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Sobre o Autor

Vinícius Cerqueira

18 anos, baiano de raça pura, nerd em formação, amante assumido da sétima arte e polêmico em seus textos nas horas vagas.

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